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Olhos cegos - Potássio #12




Injusto entender que as pessoas se usam de acordo com o que precisam. Injusto também é ficar cego e não enxergar aquilo que não se esconde bem em frente aos seus olhos. A rotina de se pensar no próprio umbigo consome os que nos cercam e adivinhem? Depois de tudo que se passa por aí, restam as trocações de farpas. Facas.


Por aqui ensinaram bem o jeito do corte, afinal de contas churrasco é cultura no meu país. Deve ser por isso que as pessoas sempre estão para corte na visão das outras e também deve ser por isso que tudo anda tão confuso por aqui.


E eu jurei pra mim mesmo que só iria retribuir o que fazem comigo, sem fugir muito das leis de Newton. Ação e reação.


Talvez só por isso, eu tenha aceitado dar um rolê. Precisava de dois textos novos, duas ideias que viriam e ferveriam tudo. Talvez só por isso eu tenha tido vontade de sair.


Me senti perturbado com a ideia de retribuir aquilo que foi feito, deve ser o efeito do verde que constantemente queima ao meu redor. Me senti assombrado por pensamentos que não me cabem, mas eu quis insistir só pra ver onde chegava. Descobri que os seres humanos são programáveis como um computador e que até sugerem palavras quando o outro conversa, só pra ver se o fim do enredo chega mais cedo.


Eu descobri que se perde tempo ao falar comigo, descobri que talvez eu seja o maior tempo perdido e que todo esse caos que se esconde aqui é só guardanapo de loja de sorvete que se pega toda hora e deixa em cima da mesa, sem olhar se tem uma lixeira ali pra se jogar. Apenas abandonam o guardanapo.


Hoje é feriado e eu que não conto os dias que nem calendário, senti o cheiro de calêndula no ar e senti que nem tudo que se recebe é necessário voltar.

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